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A arte de reciclar cultura


“No entorno do universo inaugurado pelo sampler, as práticas de reutilização, apropriação e reciclagem de mídias invertem o lugar do anônimo. Nesse contexto, reciclar é marca de uma sociedade em que o excesso e a velocidade interessam porque não são nossos. O nomadismo é sua prática mais contundente”

(BASTOS, Marcus. ‘A cultura da reciclagem’, 2004)

 

Ao ler o texto de Marcus Bastos – A cultura da reciclagem –  percebe-se claramente o  que a era digital propiciou aos seus adeptos, a prática da reciclagem cultural.  Reciclar cultura significa usar obras antigas e, adaptá-las ao contexto atual. O sampler, os remakes, os remix, as releituras, todos estes são nomes dados á prática de apropriação das diversas obras artísticas, seja na música, nos livros ou em filmes. É claro que não se pode esquecer/excluir, as práticas de apropriação de cultura antes da era digital, porém não se pode negar que, foi a partir da criação do computador que tal prática ganhou maiores espaços e liberdade. Isso porque tal ferramenta propiciou ao homem o uso de programas melhores desenvolvidos e, de fácil manipulação para editar músicas, imagens, adaptar leituras, e experimentar todos os espaços possíveis de atuação. Para melhor entender o que falo, darei um pequeno exemplo: Ler um conto ou livro, e adaptá-lo a um filme, é uma forma de levar uma obra literária para o mundo visual dos filmes. Ou ainda, levar músicas para a trilha sonora de curtas-metragens ou filmes.

 

Vivemos um momento em que é fácil e comum encontrar apropriações artísticas. Na música existem os remix, em que através do sampler – ” (…) aparelho que grava e permite a manipulação  de amostras sonoras” – unem e misturam partes de músicas conhecidas transformando em um único produto sonoro. Porém, a facilidade com que é feita e divulgada as apropriações entra em conflito com a questão dos direitos autorais. Isso acontece porque os verdadeiros autores das obras possuem direitos sobre elas, sendo assim, devem ganhar os méritos e a quantia necessária ao terem suas obras usadas por outros. Contudo, diante do momento da ‘reciclagem cultural’ é preciso repensar e tentar adaptar tais regras, pois punir quem se apropria acaba por inibir a critatividade artística,  ou até restringir a produção cultural a quem cria os produtos, e não a quem as adapta. Enfim, é necessário encontrar uma solução para esse tema, e claro ambas as partes devem ser beneficiadas.

 

Na área audiovisual existem os remakes, que nada mais são do que a refilmagem de histórias já produzidas antes e, conhecidas pelo público. Usarei um remake como exemplo para ilustrar meus argumentos de reciclagem cultural.  O atual filme Alice no país das maravilhas, lançado em 2010 pelo diretor Tim Burton. O filme foi sucesso de bilheteria, isso porque o público já conhecia a história e, queria presenciar essa nova adaptação para avaliar se seria melhor ou pior que as produções anteriores. Alice originalmente foi lançado como conto em 1865, e escrito por Lewis Carrol. O conto ganhou fama entre o público infantil, e tempos depois ganhou diversas adaptações televisivas e cinematográficas, a primeira delas foi em 1903, dirigido por Cecil Hepworth. De lá pra cá surgiram diversas produções inspiradas na história, desde filmes mudos, em desenhos até seriados. O mais conhecido foi lançado em 1951, produzido pelos estúdios Disney, em formato de animação.  Cada remake possui suas caracerísticas, a de Tim Burton tem uma fotografia incontestável e, foi lançado em tecnologia 3D, os personagens são adaptados a novas cores, maquiagens e carisma. Tim usou todos os recurso tecnológicos alcançáveis para tornar cada personagem o mais real possível, essa é a prova de uma adaptação voltada a nossa era, a era digital.

 

 

Refernências:

A cultura da reciclagem – BASTOS, Marcus. ‘A cultura da reciclagem’, 2004

http://pt.wikipedia.org/wiki/Alice_no_Pa%C3%ADs_das_Maravilhas#Adapta.C3.A7.C3.B5es_cinematogr.C3.A1ficas_e_televisivas


 

por Magalli Lima

Taxi Driver – Martin Scorsese

 

O Diretor

Martin Scorsese é um ator, produtor, roteirista e consagrado cineasta norte-americano. Nasceu em 1942, na cidade de Nova York, não é a toa que retrata com tamanha verossimilhança as entranhas desta cidade. Um devoto católico que possui uma carreira cheia de altos e baixos, e que descobriu cedo a paixão pelo cinema, carreira que o fez desistir de ser sacerdote para se formar cineasta na Universidade de Nova York. Eu diria, que pelo o que li da vida  de Martin, é possível, através da trajetória dele, encontrar  a maioria dos dramas que se tornaram histórias/roteiros dos filmes do diretor.

 

O catolicismo, a vida em Nova York, o interesse pela cultura italiana e, principalmente, pelo caso dos italianos que migraram para os EUA, a violência e o drama da vida estadunidense e, a perturbação humana diante do desenvolvimento exacerbado das cidades, são os temas que, em grande parte, estiveram presentes na vida de Martin, e entraram como características de abordagem nos filmes em que dirigiu. É possível perceber, através do leve estudo de filmografia do cineasta, que a temática italiana/novaiorquina faz parte de muitos filmes dele. Algo também interessante é o fato de Scorcesese possuir um vínculo com grande parte dos atores com quem trabalha, Robert De Niro, por exemplo, se tornou uma espécie de ‘marca’ dos filmes de Martin, iniciou contracenando em ‘Mean Streets’, e dalí em diante não parou mais, particpou de muitíssimos filmes do diretor, inclusive como papel principal.

 

Scorsese possui uma filmografia invejável, com filmes consagrados, alguns considerados obras-prima, outros apenas filmes com a ‘caractarística’ de sempre do direitor. Devido a lista tão grande, me perdi na escolha do filme que iria assisitr para fazer esta postagem, mas escolhi um marco da carreira de Martin: Taxi Driver (1973) – Um filme que pude encontrar rapidamente as temáticas do diretor. A narrativa dramática prende o telespectador que, além das imagens e enquadramentos pertinentes também nos chama atenção a trilha sonora envolvente e forte o bastante para dar ênfase aos momentos impactantes. O personagem protagonista é muito bem construído e complexo, de tal forma a nos demonstrar uma dificuldade em distinguir o que é certo e errado. O filme foi indicado a alguns prêmios, como melhor diretor e melhor trilha sonora no Oscar, entre outros,  mas foi no festival de Cannes que ganharam um prêmio maior, a Palma de Ouro. O bom de iniciar o estudo sobre os filmes do diretor é pode acompanhar o desenvolvimento do mesmo em relação as produções, pois Scorsese é vivo e produz filmes, com ampla notoriedade até hoje.

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O Filme

Taxi Driver se passa em Nova York, e também mostra o preconceito contra o povo italiano que, alguns novaiorquinos possuem. Conta a história de um homem (Travis Bickle), com problemas psicológicos e também insônia, que não consegue encontrar algo que o satisfaça além da sina por filmes eróticos/pornográficos e remédios controlados. Diante disso, se interessa por um trabalho noturno de taxista, pois, já que não consegue dormir iria suprir bem o serviço e a carga horária. Inicia então o trabalho, e passa a ser mais um taxista em meio as ruas noturnas de Nova York.  Com o tempo o taxista percebe a ‘podridã0’ e a ‘sujeira’ da vida na cidade. Prostituição, indiferença, violência, preconceito e hipocrisia formam uma teia quase indestrutível que paira sobre a cidade. Travis lida com pessoas o tempo todo, mas sua maior companhia é a solidão. Grande parte dos clientes lhe tratam com arrogância, superioridade, e o fazem se sentir coagido no meio de toda aquela sujeira. Travis então, reprimido e calado pelo ‘sistema’ resolve dar vazão a sua vontade e, planeja ‘limpar a sujeira’ de Nova York, mas resolve fazer isso de maneira igualável ao ‘sistema’ da cidade. Compra algumas armas, passa a fazer exercícios físicos para melhor se defender e, planeja matar o candidato a presidência, é dessa forma que o protagonista pretende ecoar sua voz para que todos os ouçam, e não pensou nas conseqüências, afinal, não via muito sentido em viver de forma a ser mais um ‘invisível’ em Nova York.

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Indico

Ao longo da trama surgem alguns pequenos desvios de conduta do personagem, por exemplo, quando Travis se apaixona por um mulher, ou quando resolve retirar uma jovem da prostituição. No entanto, não aprofundarei mais ainda a história, pois é preciso assistir para entender verdadeiramente o que citei. Na verdade, assistir a um clássico como  esse não é nenhum sacrifício, pelo contrário, é um favor que fazemos a nós mesmo. Portanto, deixo aqui  o trailer, e aos interessado, minhas boas recomendações.

por Magalli Lima

Os traços de Keith Haring

A década de 80 nos Estados Unidos, foi marcada pela ‘explosão’ artística em vários campos das artes. Isso porque os EUA passava por um momento cultural em que a juventude lutava pelos direitos individuais e, a arte estava em um momento delicado, onde não contestava os movimentos artísticos antigos e, nem elevava ao alto patamar os movimentos de arte vividos naquele momento. Keith Haring surge neste contexto do início dos anos 80, com 22 anos se mudou-se para Nova York, já graduado em  Artes Plásticas (School for Visual Arts) e aguçou a expressão criativa na área do grafite, que já havia tido bastante olhares na década de 70 com o movimento: Neo-expressionismo.

 

O Neo-expressionismo – da década de 70 – levou o grafite para os museus, e ganhou espaço com artistas renomados como Schnabel. Era uma espécie de vertente da Art Pop, pois fez dos grafites, desenhados em espaços comerciais dos metrôs de Nova York, arte incontestável. Porém, alguns críticos temiam que o movimento ‘quebrasse’ a lógica artistica novaiorquina da década de 40, e a partir daí a o grafite e o neo-expressionismo estreitam mais os laços de união e ganham maior força nos anos 80. Keith Haring , estadunidense nascido em 1958, foi um grande artista de Nova York, que levou para as ruas sua arte-grafite, primeiramente devido aos altos custos materiais, começou a desenhar com o giz, algo que passou a ser visto como uma ‘marca registrada’ do jovem artista.

 

Keith começou, então, a desenvolver suas características particulares no grafite. Com traços fortes ele se diferenciava dos grafiteiros típicos da época e do local, traçava formas bem definidas nos fundos pretos dos espaços comerciais dos metrôs, o branco do giz delineava sinais gráficos com formatos bem definidos, Haring estava ‘construindo’ sua forma única de grafitar. Levava a arte às ruas como um gesto conceitual, e quando passou a disseminar sua arte sobre outras superfícies, como camisas, murais e telas percebeu que as formas eram totalmente adaptáveis. Passou então a usar novos materiais, como tinta óleo e acrílica, e assim misturava a arte do grafite com elementos da pintura.  Com traços grossos, formatos simples e parecidos, o artista passou a usar cores fortes e, desenvolveu uma arte peculiar que era reconhecida por todos quando as viam nos muros de Nova York ou nos espaços dos metrôs.

 

Criou uma arte pública, passou a ser conhecido fora dos Estados Unidos, foi convidado para pintar muros, camisas, até no muro de Berlim ele imprimiu sua marca. Abriu uma loja, onde vendia vários objetos com seus desenhos em preços acessíveis,  sua arte podia ser consumida por todos os públicos, além disso, Haring, por vezes, usava em seus desenhos mensagens de cunho social, como liberdade, preconceito, igualdade e prevenção contra DST’s . Das centenas de obras de Keith, vou destacar  o grafite feito no muro de Pisa, na Itália. A grandiosidade da obra é inexplicável e logo de cara já reconhecemos o estilo do artista. Uma segunda obra, é Heart, que me chamou atenção pela simplicidade que, de forma tão bem trabalhada, se torna complexa e bela. E uma ultima obra  que demonstra a amizade é a Best buddies.

Keith Haring morreu de complicações de AIDS, em 1990. E deixou um legado imenso, a publicidade e algumas das estrelas da música e das artes são grandes fãs do artista até hoje. Podemos encontrar carros, bolsas, roupas, exposições, e muitos outros objetos com os desenhos de Keith, como já era esperado ele nunca irá desaparecer artistiamente.

 

por Magalli Lima

 

 

Referências:

Lucie – SMITH, Eduward. Os movimentos artísticos a partir de 1945. SP: Martins Fontes, 2006 (Capítulo: Os Estados Unidos da década de 1970 a década de 1990)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Keith_Haring

http://stelladauer.wordpress.com/2006/11/27/artista-keith-haring/

 

Caio Fernando Abreu


Escrever é enfiar o dedo na garganta” Caio Fernando Abreu

“E ler, ler é o alimento de quem escreve” Caio Fernando Abreu

 

Foi preciso ler, mas não só ler, sentir, entrar nos contos de Caio Fernando Abreu, entender o contexto da vida dele em determinados momentos,  e só assim eu poderia, de alguma forma, tentar transmitir o que este autor me fez sentir ao conhecer sua obra tão sentimental. Pretendo colocar aqui minhas palavras mais bonitas, minha interpretações mais límpidas e meus agradecimentos por ter a oportunidade de me aprofundar sobre Caio F. Abreu. Pouco antes de saber sobre esta postagem, coincidentemente, estive nas estantes da biblioteca procurando o livro Morangos Mofados, mal sabia eu que estava prestes a conhecer um contista tão inovador, e que inevitavelmente tal leitura viria contribuir para este texto.

” (…) Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo MAIS,

se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando

havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora…”

[Morangos Mofados, pg. 61 – Luz e Sombra]

 

Através de pequenas citações retiradas dos livro Morangos Mofados (1982) de Caio,  é possível perceber o profundo sentimentalismo que é transmitido nos contos. Linguagem clara, escrita diferenciada, por vezes nos deparamos com contos inteiramente escritos em bloco, sem vírgulas ou pontos. Entretanto, a estruturação das palavras não nos fazem perder o ‘fio da meada’, pelo contrário,  é fácil entender e acompanhar uma história, mesmo que ela esteja também regada de falas de personagens em meio aos detalhes do momento narrado. Aliás, Caio possui uma maneira bem detalhista de narrar fatos, mesmo que sejam parados e nostálgicos, acabam se tornando estritamente convidativos e dinâmicos. Entre a suavidade de palavras amorosas mescla-se o erotismo da narração de cenas de sexo, um choque para quem espera apenas delicadeza. Gírias, regionalismos e palavras que a sociedade julga de baixo calão também são explorados e, tornam-se comuns  ao longo da leitura. A cada conto é possível encontrar uma dedicatória aos amigos dele,ou até mesmo aos artistas que o próprio admira, como Caetano Veloso e Clarice Lispector.   Outro fator interessante é perceber, conforme a leitura, que o autor escreve contos com temáticas homoafetivas, algo que particularmente nunca tinha visto antes, além de falar abertamente sobre drogas.

“(…) Não parecia bicha nem nada:  só um corpo que por acaso era de homem gostando de outro corpo, o meu,

que por acaso era de homem também. Eu estendi a mão aberta, passei no rosto dele […] Não tínhamos dor,

mas aquela coisa daquela hora que agente estava sentindo, e eu nem sei se era alegria, também não usava

máscara. Então pensei devagar que era proibido ou perigoso não usar máscara.”

[ Morangos Mofados, pg. 46/47 – Terça-feira Gorda]

 

Me aprofundei sobre os contos, pois me encantei por eles, no entanto, a obra de Caio não se restringe só a contos, mas a crônicas, novelas, peças e romances. Estreou a carreira de escritor com o livro Inventário Irremediável (1970) , dalí em diante não parou mais de ‘mexer’ com palavras e frases. Caio possuía uma maneira única de escrever, contava histórias diferentes, misturava com poemas e regava em primeira pessoa, muitas vezes temos a impressão de que a maioria das histórias foram momentos vividos por ele, talvez seja, não se sabe.  Caio Fernando se aventurou nas letras, e nas artes cênicas, mas foi com o jornalismo que iniciou a carreira, trabalhou em revistas e jornais, foi parar na Europa com pouco mais de 22 anos e deixou sua terra natal, Rio Grande do Sul, onde nasceu (Santiago) em 1948. Lançou vários livros, como Limite Branco (1971), O Ovo Apunhalado (1975), Pedras de Calcutá (1977), mas o livro que marcou a carreira dele foi Morangos Mofados, com diversas edições. A obra se divide em três capítulos: O Mofo, Os Morangos e Morangos Mofados. Nela, lidamos com personagens fictícios, histórias de amor, desilusão, perda, medo, solidão, sexo, preconceito homofóbico e ao fim, a história de um homem que procura o médico pois acredita ter câncer na alma, e tal doença o faz sentir o gosto amargo de morangos mofados infectando a boca.

” (…)  Acendeu outro cigarro, desses que você fuma o dobro para evitar a metade do veneno, mas

não é no cérebro que tenho câncer, doutor, é na alma, e isso não aparece em check-up nenhum […]

Nenhuma melancia escancarada, nenhuma pitanga madura, nenhum morango sangrento.

Um morango mofado – e este gosto, senhor, sempre presente na minha boca?”

[Morangos Mofados, pg. 138/139]


“Quando terminei Morangos Mofados, escrevi em baixo, sem querer ‘criação é coisa sagrada’ “

 

Diante de uma escrita tão única e diferenciada, o próprio escritor não considerava que sua obra pudesse ser um marco da literatura, ” Na minha obra aparecem coisas que não são consideradas material digno, literário“. Infelizmente, não pôde vivenciar o momento em que seus livros começaram a ganhar maiores olhares no meio acadêmico e com o público, pois morreu com 47 anos, devido a complicações que teve através da AIDS.  Morreu, mas viveu intensamente, e deixou uma obra que nos faz até hoje, ler e chorar. É incrível o vínculo que o leitor cria ao ler sua obra, mesmo que seja apenas um pequeno conto, cria-se um carinho para com o escritor, e vem a mente a seguinte questão: Sua obra era tão bonita e tocante, que queremos o elevar ao patamar de um ser humano perfeito, porém morreu de uma doença que a maioria da sociedade julgava insana.” Após o falecimento foi lançado o livro de contos Estranhos Estrangeiros, *”Caio se sentia um estrangeiro eterno, irremediável, um estranho estrangeiro, sem paz fora da própria terra, incapaz de viver nela. Em quase todos os contos, o escritor aborda seus temas preferidos: o estranhamento, a solidão, a dor e o sentimento de marginalização.” (Revistas Parte –  parágrafo 5, linha 22). E para finalizar, deixarei frases e fragmentos das obras de Caio Fernando Loureiro de Abreu.

 

” Quem diria que viver ai dar nisso?”

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” (…)  E lá estava aquela frase que eu nem me lembrava mais e era, assim a epígrafe e síntese

( quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje.

E do que não escrevi, mas vivi e viverei”

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“Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer?

Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de

cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma outra

alegria além de ti. Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar.

Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara.”

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Referências:

Livros Morangos Mofados, 4° edição.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Caio_Fernando_Abreu

http://www.cyvjosealencar.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/26/700/16/arquivos/File/Livros/Caio%20Fernando%20Abreu/Melhores%20Contos.pdf

http://www.partes.com.br/cultura/algunsfragmentos.asp ( Revista Parte)

http://www.releituras.com/caioabreu_menu.asp

 

 

por Magalli Lima


 



 

 

 

Vídeo e arte de Nam June Paik

O sul-coreano Nam June Paik nasceu em 1932 e morreu recentemente em 2006, o grande legado deixado por esse artista tão renomado foi a criação da vídeoarte – a arte visual integrada a tecnologia da TV –  Porém, sua carreira foi uma mistura de vários estudos artísticos para enfim, chegar a arte misturada ao vídeo. Paik, inicialmente se formou em História da Arte (Tókio), mais tarde também se graduou em História da música (Tókio e Munique), e a partir da arte e da música iniciou seus experimentações e misturas. Mudou-se para Alemanha onde conheceu o músico Jhon Cage e o grande nome da performance art, Joseph Beuys,  e logo passou a integrar o grupo de influencia Dadaísta chamado Fluxus. Inicialmente Nam  June, juntamente com Cage, iniciaram estudos sobre a música eletrônica e, em sua primeira apresentação, a ‘Exposition of Music-Electronic Television’, Paik espalhou TV’s em vários cantos, e a partir de imãs, distorceu a imagem desses televisores, essa obra foi intitulada ‘TV Magnet’ e, ficou conhecida por ser a criação da vídeoarte.

TV MgnetPercebe-se logo a importância de Paik, pois além de ser creditado como o criador da vídeoarte, ele fez muito mais que isso, elevou tal arte a altos patamares, grandes exposições e mostrou que a compreensão do conteúdo televisivo pode pode ter diferentes visões. Mais tarde, junto com Charlotte Moorman, Paik passou a estudar a junção de imagens, música e performance, originando então a obra ‘TV Cello’ – construíram um grande violão cello formado por aparelhos de televisão- e a performance de Paik se resumia em, tocar o instrumento e nesse exato momento o ‘Tv Cello’ iria reproduzir imagens  de violoncelista tocando.

Tv Cello

Outra obra curiosa de Nam June Paik  é o ‘Video Fish’ (1975), que era formado por vários aquários, todos repletos de peixes vivos, e em frente a esses aquários foram colocados vários aparelhos de TV com imagens aquáticas. Era a mistura de vida e tecnologia, a sincronia de ambos era possível, a vida agora estava tão próxima a tecnologia quanto pensavam e, buscar aproximar cada vez mais era possível e viável, talvez assim a popularização da tecnologia não seria vista apenas como algo banal á vida, mas como algo que pudesse se “incorporar” ao nosso cotidiano. Todas as obras de Paik possuem uma mensagem intrínseca, basta a nós procurarmos ela, enfim, falar de todas as obras é bem difícil, pois são muitas, por isso escolhi três que considero muito relevantes, mas deixo a dica de procurarem mais obras.

Vídeo peixe

Referências:

pt.wikipedia.org/wiki/Nam_June_Paik

citi.pt/homepages/espaco/html/nam_june.html

namjunepaikvideoart.blogspot.com/

por Magalli Lima

Performance


A partir do livro “Performance nas artes visuais” de Regina Melim, irei sintetizar a concepção de Performance que a obra apresenta e, como foi a construção desse tipo de arte ao longo do tempo. Artistas renomados e obras estranhamente inovadoras serão apresentadas nas próximas linhas, acompanhe.

______________Yoko Ono____________

____________________Joseph Beuys_________________

Performance - I like America and America LIKES ME

 

 

 

 

 

 

 

__________I like America and America Likes me_________

 

___________Árvores dos desejos_________

 

Quando se fala em Performance nas artes visuais, logo muitos remetem a apresentações corporais. Engana-se quem liga a Performance a tal estereótipo, na verdade, através da obra de Regina Melim temos uma concepção inicial ” (…)  quando o assunto é performance, é sempre um número muito variável de concepções, as quais não se postulam como obrigatórias para atingir um consenso.” ( MELIM, Regina Pg. 9). Diante desta análise podemos ter uma certeza, não há uma concepção única que possa denominar a performance. Mas, a partir das leituras deste breve capítulo do livro de Melim concluo que: Performance é um tipo de arte não restrita a galerias e academias e, livre de limites e imposições, é uma arte que se apropria de todos os lugares que achar necessário. Qualquer objeto do cotidiano pode se tornar arte, basta que o artista lhe use, mistura-se de tudo um pouco, como vídeos, fotografias, desenhos, textos, esculturas, pinturas, dança, etc. E assim nasce a performance, uma arte que interage com o espectador.

A trajetória da Performance é longa e contínua, entretanto, tentarei resumir quem foram os artistas que ‘geriram’ essa vertente das artes visuais. Pois bem,  romper paradigmas impostos pelas artes mais antigas – Quem puder se aprofundar no estudo das vanguardas européias, poderá entender melhor qual era a intenção das artes que  quebravam regras –  como as vanguardas européias faziam, ao quebrar padrões artísticos milenares,  desta forma, a performance começou a ser usada pelas vanguardas, mas só a partir das décadas de 60 e 70 (Pós-guerra) é que ganhariam uma notoriedade bem maior. Isso devido  ás inovações, muita das vezes estranhas, que alguns artistas passaram a criar, como Jackson Pollock que, fez de sua pintura um evento performático quando expôs um vídeo (documentado por Hans Namuth) que lhe aparecia pintando uma tela deitado no chão do ateliê.

Grupos surgiram em distintos cantos do mundo, todos a procura de fazer uma arte aberta a experimentações. No Japão, por exemplo, temos o Hi Red Center, há também o Fluxus que reuniu artistas de vários países. Dentre os grupos como estes, surgiram artistas que se tornaram renomados nas performances, Yoko Ono é um bom exemplo, com uma de suas obras inovadoras a “Árvore dos desejos”. Joseph Beyus também marcou a história, com obras como “I like America and America likes me”, onde o artista ficou distante do público, isolado numa sala junto com um coiote e, através de alguns objetos tentava a interação com o animal. Em Viena, surgiu o Acionismo Vieniense, artistas reunidos que apresentavam diferentes rituais performáticos, como fotografias que sugeriam automutilações, uma forma de libertar a energia reprimida através do sofrimento. Na  Sérvia, temos a artista Marina Abramovic que, com sua obra  intitulada Ritmo, testou seus limites físicos ao dançar até cair e, cantar até ficar rouca. John Cage foi um influenciador de quase todos estes artistas, pois através de seu curso de música experimental (NY), repensou a música e influenciou artistas como Allan Kaprow, que mais tarde se tornou influente no cenário artístico americano.

Percebemos que Performance art nasce de uma linha de inovações, com artistas cada vez mais influenciados uns pelos outros. Sendo assim, mistura-se várias vertentes das artes visuais e, criam suas ações performáticas, uma mais chocante que a outra. Não foi um evento isolado, no mundo começou a fervilhar performances por todos os lados, e dessa forma ela foi trazida para nosso meio de estudos. Há quem a considere muito extravagante, há quem ame ela, mas não há dúvidas, a performance implanta um ponto de interrogação em espectadores, pesquisadores e alunos, como eu, que tenta entendê-la e questiona o fato de algumas delas ser ARTE.

 

 

por Magalli Lima

 


POP wARThol


O Pop Arte foi um movimento nascente nas décadas 50 e 60, contextualizado no período pós-guerra e,  foi um sucessor das vanguardas européias que se alastraram pelo Mundo. A proposta inicial era fazer uma arte acessível a todas as camadas sociais, dessa forma, uma arte popular, barata, juvenil e atraente  á população. Já que o princípio era popularizar, pode-se dizer que essa era uma forma de engajamento social, apesar de muitos críticos da época julgá-la como a arte que visava apenas o consumo, o lucro e a propaganda.

Devido ao contexto, as vanguardas foram grandes influenciadoras do novo modelo de arte, o Dadaísmo e o Surrealismo, por exemplo, eram movimentos contestatórios ás tradições artísticas burguesas que buscavam a perfeição. E o Pop Art tratou de se apropriar dessa essência, fazendo com que ‘a arte buscasse forma em praticamente qualquer coisa’. Dentre os artistas pop mais conhecidos estão, Roy Lichtenstein, Peter Black, Hamilton e Andy Warhol – do qual irei aprofundar a carreira pop –  Pois bem, Warhol é a figura que melhor representa o Pop Art – não desmerecendo os outros artistas – mas foi Andy que melhor levou a arte para a condição de um espelho da sociedade consumista. Nas obras latas de sopa campbell’s (1962) ,  Cinco garrafas de Coca (1962) e as Caixas de sabão Brillo (1964) é notável a elevação de produtos de consumo ao patamar de arte, uma apropriação do Ready-made criado por Marcel Duchamp, um grande inspirador para a Pop Art.

 

Andy Warhol  usou naturezas mortas para retratar a nova sociedade consumista, uma sociedade preocupada com o visual, que buscava alcançar todos os padrões estabelecidos, desde beleza, glamour, status social ou tecnologia e para isso consumiam e davam valor ás marcas. Já que essa sociedade dá tanto valor ao consumo, então a arte deve se aquiparar a isso e retratar a vida. Elevar uma garrafa de Coca-Cola a status de arte é quebrar padrões artísticos,  questionar o momento social vivido, além de atiçar o consumo ou simplesmente acompanhar  o que acontecia. Além de celebrar a cultura comercial, Andy  aderiu a uma nova lógica do fazer artístico: a produção em série através da serigrafia, isso contestaria a individualidade da arte, era possível um cidadão da classe média possuir o mesmo quadro ou escultura que uma outra pessoal da classe alta. A acessibilidade á arte influia ao consumo em massa, agora os artistas também eram consumidores e a arte nunca esteve tão ligada á vida urbana.

Andy acompanhou o momento de abundância que o povo americano vivia, e foi mais longe, aproximou a vida pública de artistas á vida comum de um simples cidadão, para isso serigrafou celebridades da época, uma forma de eternizar os ‘quinze minutos de fama’ dessas estrelas, e também trazê-las a condição de pessoas tão frágeis quanto as anônimas,  ainda por cima de forma massificada, já que a serigrafia é uma técnica que mistura o trabalho mecânico e o manual para reproduzir a mesma figura em várias cores. Warhol, era um artista desafiador e lucrativo, com o tempo passou a ser visto como uma celebridade, assim como os famosos que ele mesmo serigrafava, essa era a prova de que a Pop Art estava alcançando muitos de seus objetivos. Porém, as críticas recaiam duramente sobre os artistas pop, as principais questões levantadas eram sobre o fazer de uma arte sem engajamento, algo banal e vulgar ligado diretamente ao mercado consumidor e em busca de lucro. Os críticos não encontravam sentido na arte popular, entretanto,  o pop ganhava cada vez mais espaço e fama.

Os artista da Pop Art eram uma espécie de heterogêneos, ligados a todas as teias que a arte podiam levar, desde a pintura e escultura até direção de filmes e ilustração de revistas. Essa vivência de sentidos e ambientes faziam deles sensíveis e inovadores, sempre ligados ao visual, a dinâmica urbana e a propaganda. E apesar de, seguirem a “essência” do Dadaísmo e Surrealismo não se consideravam um movimento contestatório, afinal, não eram contra a arte burguesa, estavam apenas focados em um fazer artístico diferente e bastante abrangente. Talvez por isso a crítica fosse tão profunda em afirmar que o “radicalismo” da Pop Art era um tanto superficial. Mas, diante de todas e críticas a Pop Art ganhou seu espaço, revelou nomes importantíssimos para o cenário da arte comtemporânea e trouxe uma nova linguagem para as artes, críticas a parte, somos grandes herdeiros da arte popular.

 

 

por Magalli Lima

 

 

A “revolução” Beatlemaníaca

Explicar quem foram os Bleatles é a mesma coisa que apresentar a um religioso uma bíblia. Tudo bem, talvez eu esteja exagerando, no entanto, é bastante incomum conhecer idosos, adultos e jovens que não conheceram, ou nunca ouviram falar dos quatro garotos que revolucionaram o rock. Citei três gerações seguidas e poderia incluir até a quarta geração (crianças) afinal, os pais repassam para os filhos a cultura adquirida ao longo do tempo, hoje é possível encontrar no site de vídeos Youtube centenas de covers das músicas dos Beatles, desde adultos até  crianças como intérpretes. Assim como diz o título desta postagem a banda foi revolucionária, primeiramente por fazer um rock diferente, e depois por mostrar a força do jovem numa época em que a América do Norte passava por uma transformação no modelo de relações sociais.

John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Star – última e mais conhecida formação do grupo – juntos fizeram o que hoje chamamos de “o bom e velho rock in roll”, isso porque foram precursores de vários elementos que compõe o Rock atualmente. Por exemplo, foram os primeiros a quebrar a “regra” de poucos acordes nas melodias de rock, as letras não falavam apenas da dicotomia rapaz-moça, usaram instrumentos musicais diferentes, backing vocals mais trabalhados, incluíram uma ‘batida’ mais acelerada e dançante, e mesmo com a característica de música agitada conseguiram firmar também um lado mais romântico e lento das músicas “baladinhas” que fizeram. E o mais importante para a época – década de 60 – era o fato de serem jovens, a ainda assim, conquistaram muitos públicos, impuseram respeito, valor e conseguiram espaço para a experimentação artística, com isso subiram ao patamar de Rock-Stars em pouco tempo, Lennon chegou a declarar que eram mais populares que Jesus Cristo.

Apesar de serem ingleses os Beatles fizeram muito sucesso nos Estados Unidos da América, exatamente naquele momento a juventude passava por uma transição nos padrões de relações sociais, os jovens queriam impor sua importância e vontades á sociedade, o individualismo e a busca pela liberdade – em múltiplas direções –  eram fatores que queriam conquistar. Mostrar o poder do jovem era uma espécie de necessidade da época e, encontraram isso na imagem dos Beatles: Jovens, rockeiros inovadores, poderosos, famosos, com autonomia, visual descolado e músicas agitadas. Foi um encaixe perfeito, a juventude se identificou com os Beatles, que procuraram firmar a imagem que conquistaram.

Uma música que retrata bem o contexto vivido pelos Beatles nos anos 60 é Help (Socorro) de 1965, composta pela dupla Lennon e McCartney. Neste momento os EUA já reconheciam a banda como grandes artistas, recordes de vendagem e popularidade marcaram a época Beatlemaníaca, e diante desse sucesso imenso os quatro garotos de Liverpool se sentiam estrelas, porém enclausurados com tamanha fama. Nos versos “Ajude-me, coloque meus pés de volta no chão” há um explícito pedido de liberdade, assim como os jovens comuns da época que  também almejavam a tão sonhada liberdade. Dessa forma, a música tornou-se uma espécie de canção assinatura da banda, e encaixou-se perfeitamente no cenário da revolução cultural juvenil, em outros versos como “Minha independência parece dissipar-se na neblina” há uma instigação pela busca da independência. Independentemente da letra ser escrita sobre um momento particular que a banda vivia, não se pôde ignorar o cenário americano da época, interpretar a música de forma contextualizada foi essencial para o engrandecimento da canção, que atingiu o primeiro lugar da revista Billboard Hot 100 nos EUA.

E para finalizar esta postagem deixo aqui a música Help para quem ainda não escutou, ou para quem quer relembrar essa clássica canção, façam bom proveito!

Referências:

beatlemania.com.br

wikipedia.org/wiki/The_Beatles

letras.terra.com.br/The-Beatles/182/tradução.html

suapesquisa.com/musicacultura/historia_beatles.htm

por Magalli Lima

Merce Cunningham – Vida e Arte

Merce Cunningham, foi um grande coreógrafo norte americano do século XX, conhecido mundialmente por sua influência baseada nas Vanguardas, fez de sua dança uma inovação. Estudou todos os tipos de movimentos, e com uma pureza sem medidas, transformou-as em dança. Seu nome verdadeiro é Mercier Philip Cunningham, nasceu em 1919 em Centrália (EUA) e, com doze anos, já estudava dança.  Seguiu como dançarino e, mais tarde passou por uma escola de teatro, a fim de aprender técnicas de palco. A união de dança  com o teatro foi construindo a “dança-arte” de Merce. O dancarino e coreógrafo esteve, desde os vinte anos, influenciado pelas composições do polêmico músico Jhon Cage,  que possuía uma fama de louco, por ser provocador e ir além do que intitulavam “música clássica”. Cunningham também conheceu Martha Graham, uma coreógrafa norte americana que contribuiu por também revolucionar a dança moderna. Os dois juntos estudaram e aperfeiçoaram a dança como arte, mais tarde Merce seria tido como um discípulo de Martha.

Pouco tempo depois, Merce demonstrou uma desenvoltura única na dança, então partiu, com Jhon Cage, para apresentações de coreografia e música. Nessa época, seu solo Totem Ancestor, em parceira com Cage, é bastante comentado.  Mas, aos vinte e seis anos Cunningham, juntamente com Marta, resolve findar sua carreira como solista dançarino. Apesar de ter como parceiro o músico Cage, Merce exercia uma idéia de contestação sobre dançar seguindo os “passos” da música, e dessa forma, ele definia para si o “corpo”, como o principal fator de inspiração. Contestar, era uma arte para o coreógrafo, afinal, não admitia muitas regras que a dança clássica evidenciava, como encarnar personagens, manter uma restrição de localidade em cima dos palcos, deixar os solista num centro de importância, entre outras tantas. Revisar a dança Clássica era elevar a dança coreográfica a um novo status, e foi nessa linha que Merce alcançou uma notável fama de “construtor” da dança contemporânea.

Em 1953, com trinta e quatro anos, Cunningham abre sua primeira escola de dança, em parceira com  Cage, a Merce Cunningham Dance Company. De uma forma única passa adiante seu método próprio e revolucionário, faz apresentações, amadurece seu conhecimentos e ganha maior notoriedade. Dentre suas coreográfias mais conhecidas na estão: Dime a Dance, Untitled Solo, Fragments, Galaxy, Summerspace, entre outras. Aos quarenta e cinco anos inicia uma turnê mundial, e pouco tempo depois os Estados Unidos lhe reconhece como um mestre da dança, finalmente. A escola de dança muda de nome para Brooklin Academy of Music, e em 1959 assume a direção da Companhia de dança moderna de Nova York, dali a diante, nada mais impediria que Merce fosse mundialmente reconhecido.

A partir de sua obra, novos coreógrafos, engajados no mesmo contexto, surgiram e contribuíram para a dança Moderna e também Contemporânea, sendo assim, surgiram duas vertentes da dança americana: Nouvelle Dance e Pos Modern. Desses novos nomes, estão os famosos Luncida Childs, Pina Bausch, Jean-Claude Galotta, Dominique Bagouet, entre outros. Enfim, a arte de Merce fez nascer a dança contemporânea, da forma livre que é hoje, se não fosse por esse coreógrafo norte americano, estaríamos ainda presos ás regras clássicas da dança e, perderíamos um cenário inovador tão necessário e bonito. Merce viveu seus dias até 2009, com noventa anos, ainda dava aula e inovou, novamente, quando passou a criar coreografias em softwars. O perdemos a pouco tempo, mas a dança contemporânea nunca o perderá.

 

por Magalli Lima

 

 

 

Cinema Clássico X Cinema Moderno – O grande debate

Com base na pesquisa “Construindo o Cinema Moderno” do autor Adriano Medeiros de Rocha, irei analisar a grande questão que permeia o estudo sobre cinema: Quando acabou o cinema Clássico e quando surgiu o cinema Moderno?

 

 

 

 

 

 

 

 

Para denominar e analisar o contexto nascente do cinema Moderno, é preciso começar pelo Clássico, pois é a partir deste que se pode explicar melhor as duas vertentes. O cinema Clássico é oriundo dos Estados Unidos, isso devido as pré-condições oferecidas para o melhor desenvolvimento da sétima arte. A princípio a explicação está na Primeira Guerra Mundial, onde a Europa se via enclausurada, todas as suas forças se voltaram á batalha, a realidade européia não dava condições para o desenvolver do cinema. Já os estadunidenses, pouco envolvidos na Grande Guerra, puderam se “aproveitar” do momento, a assim investir no mundo dos filmes.

Logo de início, a concentração filmográfica estava em Nova York, porém, devido a algumas dificuldades, dentre elas o clima rigoroso, houve a necessidade de procurar um novo lugar para a construção de estúdios, surgi então Hollywood, o símbolo do cinema.  O principal fator que faz do cinema Clássico uma patente norte americana está, exatamente, na “constituição da maioria dos elementos da linguagem cinematográfica”, por David Wark Griffith, um americano comprometido com um modelo narrativo que entretesse.  A função de entreter estava diretamente ligada a uma fuga da realidade, pois o povo americano deveria encontrar no cinema um modelo fantasioso e perfeito de vida. Esquecer o real era uma forma de deixar os problemas civis de lado, a realidade não era tão atrativa quanto as histórias dos filmes.

Os roteiristas se baseavam nos romances do século XIX, dessa forma as estórias eram sempre mágicas, e com finais felizes. Essa linearidade acabou por virar tradição, sempre havia um herói, com valores acima dos cidadãos. As gravações se restringiam somente ao estúdio, os movimentos de câmeras eram especificamente em cima de tripés, a montagem (ediçao) dos filmes buscava uma linguagem fácil, com cortes brandos para que o espectador não perceba quebras de cenas. O som era gravado também em estúdios, e sincronizado com as imagens, enfim buscava-se um ilusionismo que se comprometesse com a naturalidade de um cotidiano, mesmo que seja distante. Além disso, havia a característica de filmes feitos  para atrizes e atores específicos, as estrelas do público, essa estrutura denominava-se star system. Assim como o studio system, uma lógica de “subordinação de todos os profissionais e artistas ao produtor”.

Esse foi o cinema clássico e suas características, um filme que ilustra essa época é “O Cantor de Jazz” (Jazz Singer) do ano de 1927, com direção de Alan Crosland, um drama musical norte americano.

1927

Depois do contexto do cinema Clássico pode -se começar a notar indícios, de uma transição ou mudança, para o cinema Moderno. Quando a indústria cinematográfica de Hollywood já estava consolidada e firme,  se dá o fim das Grandes Guerras Mundiais. A Europa, então, não está mais restrita a preocupar-se com as guerras, agora há algo maior: A realidade catastrófica que as batalhas deixaram na população. Era mais que notável a preocupação européia com o seu povo. Dessa forma, os filmes ilusionistas americanos não convenciam os europeus, a realidade era totalmente diferente do que se estava vivendo na Europa, e assim surgiram os movimentos cinematográficos de contestação.  A Itália foi o berço do  Neo-realismo e a França do Nouvelle Vague. A essência desses movimentos não era só de contestação ao padrão norte americano, mas de compromisso com o engajamento político e social.

O cinema naquele momento quer chegar perto do real, para isso, os cineastas se comprometem com as gravações externas, as câmeras ficam fora dos tripés, os atores eram pessoas comuns, agora o herói americano se humaniza, possui defeitos e erros. As estórias nem sempre possuem finais felizes, o plano-seqüência é explorado, não como uma forma de linearidade, mas com uma medida de prolongamento da realidade. A montagem não busca a continuidade, mas a quebra de uma vida interrompida por guerras, o cinema não é mais entretenimento, é vida. Essa arte alternativa se espalha, e em 1959 nasce o Festival de Cannes, que foca essa produção. Dessa forma, os Estados Unidos se vê diante de um fenômeno maior e se apropria dele, assim, os cineastas europeus usam o poder da indústria americana, e produzem mais filmes  filmes alternativos.

O engajamento social é uma forma de fazer o espectador refletir sobre o modelo de vida que leva. E assim nasceu o cinema Moderno, de forma contestatória se firmou,  não há como defini-lo, afinal, ele nasce de uma necessidade. Também não se pode dizer que o cinema Clássico era superficial e mentiroso, e que o cinema Moderno é engajado e verdadeiro, na verdade os dois possuem seus compromissos, e seus valores, cada um foi extremamente importante em seu contexto. Sem o cinema Clássico não haveria o cinema Moderno, por isso o mérito cinematográfico é de ambas as parte. E para finalizar, indico o filme, que retrata muito bem o cinema europeu Moderno – “Ladrões de bicicleta” do ano de 1948, do grande cineasta europeu Vittorio de Sica.

Influências:

O cinema Moderno Europeu avançou a vários países, como um modelo de técnica e ideologia alternativa, além de espalhar a liberdade estética, no Brasil o Cinema Novo  nasceu como uma vertente desse movimento.

por Magalli Lima